terça-feira, 27 de março de 2012

Uma noite cultural no Salobrinho - Jornalismo Literário

Por Anna Karenina
Fulano de tal, num sei quantos anos, à aproximadamente 4 metros de altura, mexia insistentemente a fiação elétrica para o som da festa ligar, elevado por uma alongada escada. Sua imagem era interceptada por mil fios entrecruzando a paisagem noturna, estava iluminado pela amarelada luz do poste. De blusa listrada e calça jeans, com um maciço capacete branco sobre sua couraça mental, seu fulano de tal parecia apreensivo, entre barulhos estridentes de gente eufórica conversando nas mediações do Bar do Gil, no Salobrinho, em 23 de março de 2012, Ilhéus-BA. Ele estava sustentado por um cinto amarrado, de pé nas escadas, unindo seu corpo coloidal delineadamente no poste de energia! No poste de energia! Assim começa a Calourada Unificada da Universidade Estadual de Santa Cruz. E a energia tinha que voltar, as formações Manzuá e Romanegra queriam iniciar o som.
Enquanto isso, um progressive rock nas caixas mecânicas e sonoras do bar de Gil retumbavam estridentes. Vou tomar uma cerveja, apoquentar o calor que aquele temido poste de energia, que eu poderia ver explodir de luz elétrica e magnética, ou deitar-se sobre minha cabeça. Estava com vertigens, própria de quem tem labirintite, e que não tenho, mas que posso ter a mesma sensação. E ainda bem diante de uma vala, por onde passa a água da chuva misturada com o caldo dos esgotos no livre ar, lisonjeados, sempre passeiam defronte da Uesc. Este bairro Salobrinho tem alto déficit em saúde pública e saneamento básico, famílias em situação de risco, logo  diante de um centro que produz conhecimento. E logo ao lado do Cachoeira, “o Rio que chora água”, de Cyro de Matos, nosso poeta grapiúna, tantas ironias me sondavam a mente, inclusive sobre as autoridades públicas...
Entrei impetuosa no bar, destemida, porque eu sei que nessa vida, em bar, comunidade e escola, a sociedade também se mostra, e cada um é e representa a figura de si, com seus discursos sociais, humanos e espirituais. Então, não há porque agir com a sofreguidão da renúncia e do ocultamento. Tinham pessoas no espaço do Bar de Gil, personificações, observei no tempo que entrei, solicitando uma bebida. Perguntei se teria Domec, pra economizar dinheiro, aquele conhaque que bate logo um calourão, o homem confundiu com Dommus, e disse que tinha, mas não era o conhaque que eu queria. Olhei pro lado, um braço úmido apalpava no meu, era Halana, uma ex-colega de comunicação.
- E aí?, solicita, a cumprimentei.
- E aí, apertando os lábios, com um sentimento parado, ela respondeu.
- Você tem cachaça?, me dirigi ao homem do bar.
- Tem, disse.
- Cachaça de quê e de onde?, me atrevi à pergunta.
- Tem cachaça, ele parecia apressado e meio cismado com minha pergunta.
- Então deixe, disse, percebi a retaliação justificando, é porque eu gosto de saber em que alambique é feita a cachaça, pra depois beber. Traga-me uma cerveja, por favor, tentei ser objetiva. De bigode branco e boné, ele de imediato abriu a Antártica, nem me perguntou se eu concordava se aquilo era cerveja. Olhei desapontada para ele,
- Mas você não me disse que essa era a cerveja. Cerveja é Brahma, isso aí fica difícil de beber.
- Mas a gente dá um jeito nisso, disse pressionando a tampa de volta na boca do casco, vendo que não sou nenhuma caloura de cerveja e que sua investida para desafogar as Antárticas paradas não deu certo comigo. Trouxe uma Nova Schin, eu realmente então acreditei que não teria Brahma. Enquanto isso senti intervenções energéticas nas costas fechadas. Paguei, me servi, voltando para a sala de frente do bar. Pessoas de todo jeito transitavam por ali, jovens, olhares velhos, ingênuos, novos e malacos sacavam o ambiente. Mulheres de cabelos afros no black, bonitos, assumiam sua raiz, sem a agressão dos relaxamentos, escovas e chapinhas que maltratam a raiz negra com os padrões de beleza midiáticos, burros e que tentam negar nosso biotipo genético das várias etnias que compõem o Brasil.
Entre encontros amistosos que falavam sobre a produção audiovisual dos meninos do Salobrinho, no Projeto social “Pirilampo”, do comunicólogo Flávio Rebouças, frases rimáticas, indagações e entre abordagens sobre o cordel, “que vai saindo por cima da cabeça”, interagia com aquele que pesquisa as letras e linguagens e as exerce na música que produz, Makel Magô. Descobri que o músico Alan Tremedal bebia Brahma e o cara do bar me serviu Nova Schin!
- Isso me está parecendo preconceito de gênero, falei pra Tremedal. Da próxima vez, converse com o rapaz do bar, porque eu sei que você é amigo dele aqui das antigas, que ele não tenha preconceito com as mulheres, e que ele não esconda as Brahmas estupidamente geladas para os homens e amigos, mas seja camarada com todos aqueles que vêm aqui prestigiar o bar, entre risos e um pouco chateada disse a Tremedal. Compreensivo ele sorriu e entendeu minha abordagem, só não tomou as minhas dores. Risos.
Depois, já me apressando para sair do ambiente fechado, troquei mais prosas diversas, parecia que eu poderia permanecer ali, olhares de consciente coletivo eram captados e reconhecidos. Mas tranqüilo, está tudo bem... Saí, mas não foi como um parto, segui tranqüila, estava decidida a registrar no meu bloco de anotações uma narrativa de jornalismo literário e cultural no tempo real do evento. Com toda a liberdade para isso. Eu só me pontuava com o horário e a volta para casa, não estava disposta a transbordar em álcool, já faz certo tempo.
Com a energia do bar, a banda Mazuá começou, um rock massa e suave, pontuado com as pegadas de baixo de Marcelo Weber, guitarra de João Solari, as intervenções eletrônicas do DJ Danley DKid e a bateria de Mither Amorim fechava o fundo. Em seguida, as emanações poéticas nas vozes de Brisa Aziz, imponente e ao mesmo tempo suave quando preciso, seguiam junto à de Laísa Eça, lírica e com energia. Tantos elementos juntos... A dupla de mulheres trajava temas animais, não sei se pela alusão aos chamados “bichos”, os calouros da universidade, ou se pela ferocidade da época e da moda... Estavam bonitas e dançantes no terreiro.
“Só amanhã para eu me redimir”, era cantado, e um milésimo de segundo após já tocou outra música, então o amanhã chegou. Um reggae soprou na Brisa com a frente de Laísa, no tempo que Danley Dkid frenesi batia na sua mesa de som super sensível, acompanhando a arte, integrando a musicalidade. “Shi, shi, shi, shi, shi, shi”, “subamos acima”, dizia a poesia, e eu apreciando observante as performances, escriturava a paisagem. Não bastasse a alegria de poeta empolgado feito criança, uma costa suada, consciente e gelatinosa esbarrava propositadamente no braço destro, aquele que ramifica a mão da escrita, borrando o papel. Certamente isso lhe incomodava: um corpo pensante na frente do palco escrevendo literatura da realidade, atrapalhando sua atenção que devia estar voltada para a música, mas não, trabalhava para interceptar o trabalho alheio. Só queria chamar a atenção. Eu não enxergava seu rosto, não dava tempo, as palavras eram mais importantes.
Enquanto isso, eu continuava, “Iô, iô, iô!”
A intervenção artística também aconteceu em prol da arrecadação de quilos de alimentos como doação destinada ao Quilombo Rio dos Macacos, uma das comunidades mais antigas de descendentes de escravos do Brasil, localizada em Salvador-BA, no limite com município de Simões Filho, próximo ao bairro de São Tomé de Paripe. Atualmente a comunidade abriga mais de 50 famílias e as terras quilombolas vivem em constante situação de conflito e tensão, sofrendo cerco da polícia militar e entre ameaças de caminhões, fuzileiros navais e trator, todos da Marinha do Brasil, que alega ser proprietária das terras, exigindo a reintegração de posse. Há século o quilombo fincou suas raízes nestas terras e até hoje permanece. O momento ainda é de negociação e o prazo expirado para a reintegração foi adiado para mais cinco meses. Enquanto isso, diversas classes, movimentos sociais, entidades, entre artistas, sociólogos e vários indivíduos da sociedade civil tem se mobilizado a favor da permanência do Quilombo Rio dos Macacos, que tem atuado como ativistas na defesa pelo direito de vida dessa comunidade.
Dkid rasgava o som, com toques habilidosos e ritmados na mesa, enquanto Laísa anunciava a versão da banda cantando música de Luís Gonzaga, o rei do baião. Em seguida, sons de cascatas saiam pelas caixas de som e a poesia na frente do fundo. Falavam sobre profecias, signos despedaçados, guerra, arcanjos, como se tocassem o rosto. Performances dançantes como nos lugares que reconhecem a arte, choviam na boca do dragão, a insurreição, levantamento contra o poder estabelecido, e o dragão a cuspir fogo, elas, livres para a dança. A ambulância de Danley interceptada eletronicamente também canta, enquanto o rock ia pra frente do fundo e versa-vice. Rindo da ordem mundial... Uma insurreição, povo ou fogo na boca do dragão?
Mama África entrou no repertório fazendo a alegria de filhos de mãe solteira, como eu, e que dançam e cantam felizes, mesmo quando dizem “filhinho dá um tempo, é tanto contratempo no ritmo de vida de mama”. E é mesmo tanto contratempo, sabendo que mãe é mesmo o remédio doce e o sustento para o coração dos filhos se regenerarem, ainda que invisível, mãe sempre sabe quando vai chover e você que não escutou, ficou com frio porque não levou o casaco. E até que eu lembrei minha conversa com Caboco, quando falava do tempo da universidade, como é bom e que dá saudade. Ai ele disse: - No tempo em que filhinho chora e mamãe não vê. Em outro momento eu disse sem querer, “é, universidade é bom, tempo que filhinho não vê e mamãe chora, né?”. Rimos, por causa da inversão.
Dkid continuava na projeção eletrônica e eletrizadamente com seu telefone magnético, eu pensava que filho também tem tempo em tanto contratempo de mãe e de todos, o tempo dentro dos contratempos. E isso é um recado, minha mãe.
 E então o coro que aparece na música “Navio Negreiro” em um dos álbuns de Caetano Veloso, que canta assim: “que navio é esse que chegou agora é o navio negreiro com os escravos de Angola” se desprendem no som da Manzuá, assim como os tambôs e as voltas que o mundo dá, África também é rock iorubá, que vem girando de lá nas rodas que o mundo dá, hey!
E eu esqueço o nome das pessoas que talvez queira falar. Schimidel! Esse é seu nome. Não lembrei o nome de imediato, pensei sorrindo. Ele é aquele rapaz que eu esqueci de contar no  início do enredo deste conto. Ele foi quem segurava aflito a escada, ansioso para que o senhor fulano de tal eletricista conseguisse ligar a energia do som. Neste momento, parecia cerrar os dentes por dentro da boca, de cabelos grandes e ruivos, sobre os ombros e amarrados, meu ex-colega de Edição e TV, aquele que queria beber o uísque azul do pai, Schimidel, parecia ter envelhecido, ansioso, olhava irrequieto enquanto segurava a escada comprida. Esbarrou-se, olhei, falei silenciosamente no pensamento com ele, enquanto tentava continuar essa narrativa frenética. As pernas balançando, bailando para lá e para cá, como uma gangorra, da esquerda para a direita, os pés aquecidos, as mãos tênues, uma segurando o bloco e a outra na escrita cursiva e apressada, cabeça baixa.
Um rapaz de listrado vermelho entre linhas finas e brancas se aproximava como quem observava curioso, parecia me esperar parar de escrever para poder passar, levantei o olhar, ele se aproximou educado e indagativo,
- O que você tanto escreve?
- Jornalismo Literário da Realidade sobre cultura em tempo real, respondi. Satisfeito, consentiu e saiu, só queria saber e não passou, como acreditei.
Me retirei do meio fio quase como um pressentimento e me acomodei bem próxima a parede para que uma “louca?” que não largava a caneta do caderno, incomodasse menos à platéia, a seguir, estapafúrdia. E nessa que vem girando de lá, girando de cá, uma massa de gente rodava como em fila de trem dentro de uma rede coletiva, até quando que de abrupto o bonde esbarrou consciente na boca do céu de meu estômago, quase que querendo me esmagar na parede, como um golpe baixo, mas que ficou na margem da água de praia, arenoso se desfez. E nessa intensidade consciente que “vei”, voltou arribando pra lá, não pensei nada, só empurrei de volta com a mesma força que veio a massa de gente nervosa. As pernas continuaram firmes no chão, fincadas. Não bastasse a primeira investida, a roda voltou de novo para o esmagamento, e no momento da colisão, os braços automaticamente se colocaram na base quase que de uma capoeiragem para impedir que a ingratidão fizesse moradia aqui. Imediatamente, dois anjos humanos se colocaram na frente de mim, pareciam comovidos com os ataques deflagrados contra a poesia e queriam ali evitar novas colisões, fazendo uma barreira, enquanto eu tentava continuar na minha amistosa missão de escrever. O primeiro não lembro do rosto, mas o outro era um negro de cabelos rasta no pescoço, que já avistei numa manifestação cultural do Matamba Tombenci Neto, valeu brother! Enquanto isso tudo, o microfone ressoava ironicamente, “Eu sou amor da cabeça aos pés”, e sem conseguir prestar atenção no resto da letra da música, apenas o refrão me vencia. O som estava quente, eu estava quente. Foi nesse momento que topei com Rafael Pin da banda grapiúna de rock, Tia Tereza, e ele queria saber também o que eu fazia, contei.
Dkid lançava na dimensão sonora suas naves espaciais como um boomerang, introduzido áudio cosmológico na cabeça da gente, aumentadamente.
De repente é cantado que se acende “uma vela para Deus e outra pro diabo”. A mesma frase entristecida que ouvi de um primo sentado à mesa, num almoço, família reunida. E então dá vontade da escrita jazer, com a vontade de apenas deitar no bosque e dormir. Deixar apenas que a metafísica faça a sua parte. Mas a versão da música “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada” de Chico Science entrou em atividade com a Manzuá, momento que encontrei com Mila Carillo, sorridente, cabelos presos e óculos estiloso, comunicavam junto à sua vibração alegre, ela me mostrava à presença de meu primo Júlio, eu o havia chamado para a manifestação cultural.
Nesses ínterins, entre comunicações interpessoais e com os olhos voltados para a observação, surpresas agradáveis e ruins se mesclavam, no tempo em que se apresentava um rapaz, de cabelos grandes, camisa quadriculada, com parte das costas à mostra, ele exibia sua tatuagem que plagiava a idéia do desenho que Leonardo da Vinci fez do Homem vitruviano, dentro de um círculo. Na tatuagem, ao invés da frente humana  e fiel ao desenho, se exibia dois homens despidos, ambos de costas, um à frente do outro, na mesma reprodução de da Vinci, só que inversamente.
Eram tantas leituras e tantos signos, que muitas vezes eu não enxergava o rosto de ninguém, apenas identificava num meio anônimo os espectros das pessoas que reconhecia. A acidez de certos comportamentos, de determinadas comunicações chegavam a querer corroer a escrita viva, mas que ainda meio amarga, precisava se fazer. Ler as pessoas, se ler. Ler os ambientes, entender o mundo e passar no processo de modo consciente, ainda que num ritmo diferente da dança impressa. Entendi, definitivamente, o mundo sígnico de então. O que se queria comunicar. E não podemos ficar em casa, pensei, nesse momento uma ventania apaziguava o calor do amargo traduzido nesse instante.
Chegou à hostilidade, e então eu lembro agora daquela música de Bob Marley, de “amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais. As recordações, retratos do mal em si, melhor é deixar pra trás”. E é preciso sim como diz a música cantada, “Faca Amolada”, “deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo, brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada, irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada”, para que se faça tudo amoladamente, não se deixe resquícios para os restos e as dúvidas, e que toda verdade traga a justiça da devida paz após a noite escura.
Me retirei da cena da frente e fui me dedicar a interagir com amigos, tomar uma cerveja gelada, apartada do rebu cultural cheio de gente. Conversava com um amigo, estudante de Engenharia Florestal, que me dizia sobre os movimentos de translação da Terra... De que em algum país (que eu não me recordo qual) a posição do Sol em relação às pedras, d’onde era observada durante milhares de anos, o trajeto já não era mais o mesmo, exibindo uma trajetória diferente nos dias atuais. Esses argumentos foram para reforçar a atual condição fora do eixo do planeta Terra. Como eu já sabia e constatava na vivência e observação da vida humana, tão planetários!
E no fim deste enredo todo, no verso de uma das últimas músicas cantadas pela Manzuá, ainda pude escutar que “não nascem flores no deserto”.  Em seguida, a banda Romanegra começou, mas meus créditos narrativos já haviam se exaurido. Toda a vivência valeu e bastou.
No caminho de retorno para Ilhéus, um paredão de estrelas noturnas sobre intenso vento forte na cara, me recompunham da atmosfera à superfície terrestre. Cheguei de volta.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SHANTALLA: Um toque de amor


A terapia integrativa oriental de massagem para bebês e crianças, surgiu na Índia e cada vez mais tem sido procurada por mães em todo mundo. Aprender a arte que sempre foi hábito materno de rotina das mulheres indianas, no cuidado com seus filhos, tem se tornado uma necessidade no Ocidente. A técnica tem sido bastante estudada na França e a cada dia o número de pesquisas científicas cresce para comprovar os seus benefícios.
Por Anna Karenina de Oliveira
nº 4085/BA_
annakdeoliveira@gmail.com
Numa calçada pública em Calcutá, na Índia, uma mulher paraplégica sentada sobre as escadarias do rio Ganges, massageava seu bebê, enquanto um ambiente hostilizadamente caótico se desmanchava na paisagem. O nome dela era Shantalla. E foi esta cena que aguçou a percepção e sensibilidade do médico francês Frédérick Leboyer, a identificar naquela massagem a beleza e a harmonia nos movimentos de Shantalla em seu filho, homenageando-a com seu nome para identificar o estudo que ele desenvolveu desta prática. Shantalla é uma técnica indiana milenar de massagem para bebês e crianças voltada para mães, pais, gestantes e avós se comunicarem corporalmente com os pequenos. Surgiu no Estado de Kerala, no Sul da Índia e a Shantalla inserida na filosofia ayurvédica, representa o primeiro toque prático da ciência que estuda e exerce a longevidade, a Ayurveda (Ayur= vida, Veda=conhecimento, ciência).
Desde o nascimento, o bebê já pode receber as primeiras palpações da mãe, que através desta arte oriental, aplicada até os doze anos de idade, vai fortalecer os laços com o filho e proporcionar uma infinidade de benefícios para a criança. De acordo com a terapeuta corporal Rita Barros, a Shantalla auxilia no desenvolvimento dos sistemas corporal físico, psicológico e emocional, e ajudará bastante nos dias difíceis da criança. À medida que essa técnica de massagem vai sendo aplicada, o sistema imunológico do bebê é favorecido com o estímulo da produção de mais linfócitos -responsáveis pela defesa do organismo-, assim como há os estímulos táteis, auxílio na coordenação motora, o contato visual, desenvolvimento psicológico, reflexos, atividade muscular, desenvolvimento e fortalecimento das articulações, estímulo aos órgãos internos, estímulo à curiosidade, noções de limite, entre outros. As contra indicações na Shantalla são para crianças com apresentação de febre, infecções e nos dias que estiver sujeita a tomar vacinas.

“Além de facilitar a vida cotidiana das mães, auxilia na praticidade e intimidade na relação mãe e filho. Também é uma alternativa de socorro em casos de urgência, em que você precisa dar um alívio rápido ao seu filho até o momento em que o médico possa atendê-lo”, explicou Rita Barros.“Quando você percebe o limite entre um corpo e o outro corpo, você tem a nítida compreensão de limites, direitos e deveres, que serão compreendidos depois, mas a essência já é incorporada no aprendizado da vivência”, explica a terapeuta.Ela argumenta que a atenção materna vai estar mais ativa, assim como a linguagem no vínculo mãe e filho. “Você vai percebendo a personalidade da criança e a individualidade do seu filho. É um diálogo sem palavras, onde quem fala é o inconsciente para outro inconsciente, em que essa comunicação vai estar registrada nos dois e não se perde, porque fica registrado no corpo, como definiu o psicanalista Ricardo Rodulfo ‘são como desenhos no corpo, desenhos fora do papel’”, destacou a especialista.
 
O tempo de massagem varia de acordo com a idade da criança, para os recém-nascidos ao primeiro ano, a massagem evolui de 5 para 30 minutos. De 1 até os 5 anos de idade, dura 30 minutos, de 5 aos 12 anos, a Shantalla acontece durante 40 minutos.
Para melhor manuseio, deslizamento, palpação, pressão, aconchego, exercícios e movimentos próprios da técnica da Shantalla, os óleos vegetais devem ser sempre utilizados. A pele da criança é aquecida e a troca e o diálogo entre os corpos são facilitados. O óleo de coco da praia, rico em vitaminas A e E, é o mais indicado para uso, pois contém substâncias que o bebê já conhece, o ácido láurico, presente no leite materno. Mas também têm os óleos de amêndoa doce, sementes de uva, palmiste, macaúba, que também podem ser aplicados.
Além de terapeuta corporal, em Yoga Massagem Ayurvédica, técnica de Kusum Modak lecionada por Ma Bodhigita, a soteropolitana Rita Barros é fitoterapeuta pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), complementando sua formação com os cursos de Aromaterapia, Psicoaromaterapia, Florais de Saint Germain e de Bach, Iridologia, Emotologia, R'XA (Reiki) e Holocromos. Residente em Ilhéus-BA, Barros identifica na cidade um campo favorável para atendimentos e oferecimento de cursos de Shantalla. Ela predispõe incorporar a aromaterapia e a cromoterapia na Shantalla através da introdução de cores e aromas para tratamento de algumas patologias infantis costumeiras, como as cólicas, stress, dor de cabeça, diarréia, falta de apetite, ansiedade, euforia, entre outros.

 
Para atendimento e maiores informações:
Rita de Cássia Barros
(73) 3632-2305; (71) 8219-7683; (73) 9983-6494
“Sim, os bebês tem necessidade de leite, mas muito mais de serem amados e receberem carinho. Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados”.


LEBOYER, médico francês que "descobriu" a técnica, autor do livro "Shantalla, massagem para bebês: uma arte tradicional"




quarta-feira, 7 de março de 2012

Casa Betânia: cidadania para mulheres vitimadas

Há quatro meses a Casa está de braços abertos para acolher mulheres vítimas de agressão doméstica, prostituição, drogas e todo tipo de violência contra a mulher, no Teotônio Vilela, em Ilhéus-BA. Representantes sociais estiveram reunidos para discutir e articular ações de aprimoramento do projeto e de outras demandas recorrentes.
Por Anna Karenina de Oliveira
Registro n º 4085-BA
annakdeoliveira@gmail.com
Quando uma mulher vai procurar a Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM) de seu município para registrar uma ocorrência de violência doméstica, geralmente a vítima já está sendo agredida fisicamente, psicologicamente e ou moralmente por algum tempo. É com o intuito de acolher e abrigar a mulher em situação de risco, que a Casa Betânia trabalha em parceria com a DEAM e se mantêm com o apoio de voluntários. Idealizada por mobilizadores sociais de Ilhéus, hoje soma forças para alavancar esse projeto que tem grande chance de ampliar seus pontos de funcionamento para o centro da cidade e o litoral sul, disponível como instrumento de esperança à elas que sofrem todo tipo de violência. Além de ministrar cursos de aperfeiçoamento como um meio de qualificação para obtenção de renda, a Casa funciona para acolher e orientar sobre os direitos protetivos que a mulher possui.
 
Nesse sentido, aconteceu uma reunião na semana passada no espaço da Casa Betânia, em que representações sociais, dentre elas, a presidente da Casa, Mônica Watson, a assessora jurídica e Conselheira da Fundação Negreiros, Rúbia Carvalho, a assessora da Senadora Lídice da Mata (PSB-BA) ligada ao movimento de mulheres, crianças e adolescentes, Maria Helena Souza, a representação do presidente do SINTEPAV (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação, Obras de Terraplenagens do Estado da Bahia), Bebeto Galvão, na presença de seu filho, Maurício Galvão, o presbítero e presidente do Centro de Recuperação Cidade Refúgio, Marcelo Duarte, representações das Associações de Moradores do Bairro Teotônio Vilela, União dos Universitários e Amigos do Teotônio Vilela, do Projeto Cara Nova e de Pequenos Agricultores, assim como profissionais e moradores do bairro, estiveram reunidos para apresentar e discutir possibilidades de aprimoramento, funcionamento e atendimento da Casa Betânia, bem como de demandas relacionadas ao desenvolvimento do bairro e das condições de vida de pessoas que vivem em situação de risco e pobreza em Ilhéus.
A Casa Betânia
Rua São José, n º 145, Teotônio Vilela, Ilhéus-BA.

Inaugurada em dezembro de 2011, a Casa Betânia existe em decorrência da ajuda de pessoas comprometidas com as causas sociais. A idéia surgiu mediante a demanda de mulheres vitimadas e ou usuárias de drogas que recorrentemente buscavam auxílio junto ao Centro de Recuperação Cidade Refúgio, do Banco da Vitória, que trata da reabilitação de jovens na maioridade, dependentes de substâncias psicoativas (alcoolismo, tabagismo e demais drogas), coordenado pele presbítero da Assembléia de Deus, Marcelo Duarte. “Nosso caráter de tratamento atende somente homens, na maioridade. Mas inúmeros casos surgiram de muitas mulheres querendo se internar, uma demanda grande de mulheres que se prostituem para manter o vício, e muitas mulheres abusadas, violentadas e sem soluções, sem um local pra acolher e atender”. Diante da reunião de esforços, o presbítero e idealizador encontrou os braços dados da atual presidente Mônica Watson, de Bebeto Galvão que vem contribuindo diretamente com a Casa, do trabalho social que a Fundação Negreiros vem prestando desde 2001, com o oferecimento de cursos, capacitação e qualificação em Ilhéus e outros municípios, tendo por fundadora r parceira a referida assessora jurídica, Rúbia Carvalho. “Nós temos a expectativa de minimizar o sofrimento das mulheres. Só no ano de 2011 a informação é que 1000 mulheres foram vitimas de violência, seja doméstica, por uso de drogas, violência sexual em adultas, garotas e crianças... A casa Betânia hoje vem como uma casa de acolhimento e abrigamento, para receber, capacitar e qualificar a mão de obra. Às vezes a mulher se deixa violentar por falta de recursos financeiros e de uma profissão, por ser dependente do parceiro”, afirmou a advogada.

Voluntária na Casa Betânia desde sua inauguração, Fátima Neves, mora no bairro do Malhado e se desloca todos os dias para o Teotônio Vilela para prestar assistência às possíveis vítimas de violência. No entanto, ela explica que até o momento, em quatro meses de funcionamento, a casa ainda não recebeu nenhuma visita. E isso não se deve à falta de casos, mas envolve algo muito mais profundo do que se possa supor, algo que beira o medo e o desespero.
“Tem muitas que acham que acabou, que a vida delas é aquilo ali e não tem mais solução. A mulher coagida, ou pelo sustento dos filhos, com medo de não ter apoio para eles financeiramente, evita a denúncia, ela não tem a ousadia de tentar”.
A voluntária explica que os cursos de aperfeiçoamento para formação de babás e assistência à idosos ainda não puderam ser efetivados por falta de inscrições, e acrescenta, “esses cursos são satisfatórios mesmo, é uma forma da mulher conquistar um meio de renda, ter consciência de que através disso ela pode vir a ser beneficiada e se tornar independente. Essa é a nossa intenção. O que precisa é que elas se conscientizem de que podem contar conosco, aqui na Casa Betânia, de que ainda há uma oportunidade pra elas”.
Propostas
De acordo com as entidades presentes na reunião, foram apresentadas algumas possibilidades para o melhor funcionamento da Casa Betânia. Em vista do espaço disponível do Educandário Cordolina Loup, situado na rodovia BR 415 km 22, que liga Ilhéus a Itabuna, fundado em 1956 pela Irmã Catarina, hoje se mantêm com o apoio de doadores e funciona através do trabalho da Congregação Nossa Senhora dos Aflitos, com as Irmãs Edna, Maria do Carmo e do sacerdote maranhense, Padre Orlando. Elas administram uma escola infantil que funciona numa casa ao lado. Para o sustento, as freiras fazem biscoitos caseiros e sorvete para serem vendidos no município grapiúna. “Sou amiga da Congregação, e junto com as irmãs e o Padre, sentimos essa necessidade dessa parceria, para mostrar a algumas pessoas que existe um espaço excelente e que está precisando ser ocupado. Pode ser um refúgio e preservar o anonimato para as mulheres, em que com tranqüilidade a vitimada vai se sentir mais segura”.
A idéia é que a Casa Betânia ocupe o espaço do Educandário com termo de cooperação de acordo e técnico, para acolher e abrigar mulheres, jovens, crianças e capacitá-los, qualificando a mão de obra lá dentro. As possibilidades são várias, como desenvolver trabalhos com horticultura, cultivo de flores, culinária, dança, entre outras atividades. O ponto onde funciona hoje serviria como apoio e administração. Veja ao final da matéria mais fotos do Educandário.

“Temos muita esperança de que a Casa Betânia possa estar funcionando onde é hoje o Educandário. Retornaremos no mês de abril para avaliar os editais abertos para captação de recursos. É preciso que a comunidade se mantenha organizada para ter clareza do que quer, que envie o projeto... O que eu não quero é que a comunidade tenha uma expectativa além disso. Tenho certeza que na hora que tiver que batalhar pra ajudar a sair, o que for possível, a Senadora Lídice vai fazer, assim como outros políticos daqui, estarão empenhados em conseguir isso ”, afirmou a assessora da Senadora Lídice da Mata (PSB-BA), Maria Helena Souza.
O bairro do Teotônio Vilela aporta um espaço construído que está pronto para entrar em funcionamento como Centro Comunitário, onde diversas atividades podem ser feitas. Essa possibilidade do Centro Comunitário aportar a Casa Betânia também foi cogitada na reunião por alguns membros presentes e moradores.
Violência contra a mulher
A DEAM de Ilhéus fica localizada na Avenida Litorânea Norte, nº 6, bairro Malhado, Ilhéus-BA. Para contato ligue, (73) 3234-5275. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, é destinada a atender gratuitamente mulheres em situação de violência no Brasil, como serviço de utilidade publica, e entrou em vigor com o decreto nº 7.393 em 15 de dezembro de 2010. De acordo com os números divulgados pela Secretaria de Política para as Mulheres do Governo Federal (SPM), no Brasil existem 889 serviços especializados para atender mulheres vítimas de violência, e a Casa Betânia hoje é um deles.
Pelo menos uma em cada três mulheres no mundo já foi agredida, forçada a ter relações sexuais ou abusada, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, de dez mulheres, quatro já foram vítimas de violência doméstica, é o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad – 2009) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estima-se que, em média, cerca de dez mulheres são brutalmente assassinadas por dia no país, segundo informações da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia. Esta organização demonstra ainda que a cada 60 segundos, quatro mulheres estão sendo espancadas ao mesmo tempo pelo respectivo homem com que cada uma mantém ou manteve relação afetiva. Isso indica que a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência doméstica no território nacional. Na própria residência, é onde 70% dos crimes nacionais contra mulheres são executados, em que os agressores são os maridos ou companheiros. A Pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil realizada pelo Instituto Avon/Ipsos, apresenta como principais fatores que contribuem para a violência o machismo, com 46% das agressões, e o alcoolismo, com 31%.
No dia 22 de setembro de 2006 a Lei Maria da Penha, 11.340/06, entrou em vigor no Brasil baseada nos termos do § 8º do Art. 226 da Constituição Federal, indicando que “o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”. As formas de violência vividas por mulheres previstas nesta lei são conceituadas e definidas configurando a violência doméstica e familiar contra a mulher como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. O Art. 6 º não deixa dúvidas, “a violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos”. A lei dispõe de capítulos e seções que vem detalhar as disposições gerais, da assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar, do atendimento pela autoridade policial, medidas protetivas, da atuação do Ministério Público, da assistência judiciária, compondo um extenso aparato de recursos disponíveis para garantir o direito que visa prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher. A pena mínima para quem pratica o crime de femicídio é de 3 meses e a máxima de 3 anos, acrescentando-se mais 1/3 no caso de portadoras de deficiência. Pela lei, os agressores podem ser presos em flagrante.
Maria da Penha Maia Fernandes foi vitima de espancamento pelo marido por seis anos, que tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira investida sacou uma arma de fogo e a deixou paraplégica e na segunda tentativa de homicídio, por eletrocussão e afogamento. Decidida a denunciá-lo, Maria da Penha só pode ver seu agressor punido somente depois de 19 anos de julgamento, e pagou em regime fechado a pena por apenas 2 anos.
As mulheres negras são a maioria entre as vítimas de homicídio doloso – aquele em que há intenção de matar - com 55,2% dos casos, na tentativa de homicídio chega em 51% para as negras, em lesão corporal, as negras continuam maioria com 52,1%, além de estupro e atentado violento ao pudor que incide com 54% dos casos, de acordo com os Dados Dossiê Mulher (2010).
A ONU sancionou a data 25 de novembro como o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, em 1999. Dia memorado em homenagem as três irmãs ativistas políticas latino-americanas (Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal) que foram assassinadas em 1961 pela ditadura de Leonidas Trujillo (1930-1961), na República Dominicana.

Fotos do Educandário Cordolina Loup Reis
(Clique em cima da imagem para visualizar em tamanho maior)




Esporte e lazer no IV Tennis Cup Ilha de Comandatuba

Torneio do Circuito de Tênis da Bahia no Hotel Transamérica reuniu mais de 50, e conciliou esporte, lazer e sociabilidade.
Por Anna Karenina de Oliveira
annakdeoliveira@gmail.com

Aconteceu o IV Tennis Cup Ilha de Comandatuba no Hotel Transamérica, torneio que faz parte do Circuito de Tênis da Bahia, e reuniu neste final de semana, nos dias 3 e 4 de março, mais de cinqüenta inscritos de diversas cidades baianas, como também de outros estados do país, em Una – BA. Este é o quarto ano que a organizadora Agda Silva promove o campeonato com o objetivo de incentivar a prática do tênis e a integração dos participantes.
No início da manhã de sábado (3), às 9 horas, foi dada a abertura do torneio junto à reinauguração do complexo tenístico do Hotel Transamérica, que soma um total de dez quadras, momento em que o Hino Nacional em exibição das bandeiras brasileira e baiana foi cantado pelos atletas. A presença ilustríssima do veterano tenista Pedro Silva veio para valorizar ainda mais esse acontecimento, já que não é todo torneio de tênis que tem o privilégio de receber o “Zico do tênis” da Bahia.
A parceria do Hotel, representado pelo gerente de esporte e lazer, Hércules Travasso, com o Tennis Cup Ilha de Comandatuba, há quatro anos vem dando certo. “A cada edição, o número de participantes vem aumentando significativamente, e com bom nível. É uma honra muito grande contar com a participação de pessoas de vários lugares da Bahia e do Brasil”, salientou a organizadora Agda Silva. Nesta edição, estão reunidos tenistas de Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista, Jequié, Lauro de Freitas, Salvador, Feira de Santana e Irecê, assim como de outros estados, cidades como Vitória-ES, Aracaju-SE, Curitiba-PR, Rio de Janeiro-RJ e de São Paulo-SP.
Os jogos foram disputados em 1 set profissional de 8 games, de simples e duplas, em várias categorias, segundo a faixa etária dos jogadores. Dentre elas, Infanto Juvenil, Open, Seniors e Damas acima de 35 anos. Ao final do dia, houve a entrega dos troféus e medalhas com a divulgação dos resultados e o encerramento do torneio.
Profissional de educação física, treinador nacional da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) e professor de tênis há quinze anos, Luís Rogério Menezes, mais conhecido por Charinho, afirma que Ilhéus e Itabuna estão bem representadas com o grupo de seus 14 alunos que ele trouxe para competir. Charinho compôs na tarde do sábado o jogo de exibição de dupla do evento ao lado de Moarcyr Abreu Júnior contra os veteranos Deraldo Nascimento e Gilvão Galvão. “As quadras estão com uma estrutura muito boa e a proposta do evento é muito interessante, porque além da competição envolve interação social em que você conhece pessoas de vários lugares diferentes compartilhando o hobby comum, que é jogar tênis. Com isso agregamos atividade física com o lazer e o conforto que o Hotel oferece, com certeza muito bom”, comentou o professor, que dá aulas de tênis em hotéis de Ilhéus e Itacaré, e agora ensina também em Itabuna.
E pra quem pensa que a prática do tênis é privilégio apenas dos jovens, está profundamente equivocado. Aqui foram reunidos diversos veteranos quando o assunto é maturidade e disposição para o esporte. “Tenho a satisfação de dizer que somos exceção aqui na Bahia, porque fazer um torneio social como o nosso, que tem 8 jogadores pra disputar uma categoria acima de 60 anos de idade, com certeza é uma grande alegria”, comemora a organizadora Agda, tenista há 23 anos.
Dona Aldair Montenegro, com seus maduros 82 anos, soteropolitana, é jogadora de tênis e disputou na categoria Damas um jogo de dupla. Ela pratica o esporte desde os 62 e afirma com convicção, “pra mim é ótimo, porque exercita os músculos e conserva a saúde”, e garante, “o que faz a gente envelhecer é ficar parada”. Praticante assídua do torneio, desde a primeira edição, explica que além da atividade física, é uma excelente oportunidade de lazer, “encontrar amigos e conversar é uma maravilha”. O renomado tenista baiano, Pedro Silva, marca presença na IV Tennis Cup Ilha de Comandatuba e assim define o evento, “é um torneio pra fazer amigos, não é uma competição pra o cara sair daqui vitorioso ou não, é um torneio pra fazer amigo e isso não tem preço”.
Para o Presidente do Tênis Clube de Vitória da Conquista, Gideon Almeida, “isso só faz crescer o tênis da Bahia, e a presença de Pedro Silva aqui é muito importante, porque nos incentiva. Espero que esse momento se repita mais vezes durante o ano, para quem não conhece, recomendo, vale muito à pena participar”.

RESULTADO
VENCEDORES

Categoria
Damas – 1º Mauricéia Damasceno e 2º Monita Abreu
16 anos – 1º Andrei Lavigne e 2º Marcelo Costa Curta
Open – 1º Roberto Tarazi e 2º Claudecir Santos
45 anos – 1º Marco Antonio e 2º Mauricio Taraschi
50 anos – 1º Gideão Almeida e 2º Ivanildo Calheira
60 anos – 1º Luiz Faleiro e 2º Joselito Viana
Dupla Mista – 1º Jean Solca e Gideon Almeida; 2º Mauricéia Damasceno e Jackson
Dupla Masculina – 1º Luís Rogério Menezes e Mauricio Taraschi; 2º Geraldo Nascimento e Paulo Hever